Sou negro, forte e imponente,
Ao mesmo tempo inocente,
Amigo e natural,
Sei que me admiram
Não me querem fazer mal.
Tradições são cultura,
Não são espaços de tortura.
Para me animar bandarilhas
São no meu corpo espetadas.
Com certo cuidado e ternura,
Meu dorso é penetrado,
Estremecendo meu coração excitado.
Ansioso estou,pronto a correr,
As minhas patas calejadas dão o mote.
Bandarilhas fazem meu corpo ferver,
A adrenalina é o meu suporte.
Vejo olhos dengosos
Cheios de amor e simpatia.
Entro no jogo sabendo a razão,
Sem um assomo de rebeldia.
O areoso chão da praça semi vazia,
Ganha uma cor antes desconhecida.
Uma cor encarnada escurecida,
Nos meus olhos ela é reflectida.
Sei qual será o meu fim,
Glorioso e brilhante,
A minha dor,a dor …
É como a carícia de um amante.
Vivo o calor da luta,
Para ela é que fui criado
Prefiro morrer lutando
Do que como mísero
Boi capado.
Este poema,paradoxalmente, foi inspirado naquele que li no, parece que extinto, blogue CAPT-campanha anti touradas.
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