OS PRÓS E CONTRAS DOS “PRÓ” E DOS “CONTRA” AS TOURADAS

Agora que comecei a navegar pela net, dei-me conta de que o assunto mais debatido que lá se encontra é o das touradas. Os sites e blogues a favor da sua continuidade e contra a mesma, multiplicam-se. Em todos são repetidos os mesmos argumentos, a favor ou o oposto.

Os “contra” falam no sofrimento que, só por diversão, é infligido aos toiros. Usam uma linguagem agressiva, insultuosa e exageradamente baixa para atacar os que estão do outro lado. Chegam a insinuar não ser correto o comportamento conjugal das mães dos “pró” ( vá lá que esta ordinarice só verifiquei em dois sites…) vandalizam tauródromos, estátuas de toureiros. Organizar barulhentas manifestações à porta das praças de toiros, provocando e soltando impropérios contra quem se dirige para o espectáculo, fazem parte da campanha anti taurina que empreendem. Nos frente a frente que se têm realizado entre anti taurinos/”contras” e “pró” touradas, descaradamente, evocam sempre sensibilidade, humanidade, amor pelos animais e direitos dos mesmos. Dizem ser a tourada, tortura gratuita e impiedosa. Atividade sangrenta que só se mantem por homens sem sentimentos ou escrúpulos, ganharem muito dinheiro com a sua existência.

Para dar ideia de vida e importância aos blogues que vão criando, estas opiniões são repetidas exaustivamente, trocando textos entre si. Esgotado este expediente e os impropérios com que mimoseiam os taurinos, por muito repetitivos, perderem força, para sobreviverem entram noutra fase.

Com falta de imaginação mas imbuídos de caridoso espírito missionário, desejando continuar o combate aos “infiéis” (obviamente os taurinos), para que os seus blogues não acabem, fazem aflitivos apelos e convites de colaboração. E lá se vão mantendo. Muito por complacência e ingenuidade dos taurinos que, ao responder às suas provocações, lhes vão dando balões de oxigénio para manterem os seus blogues. (mesmo assim, alguns já desapareceram ou têm expressão mínima) Se não o fizessem, estes blogues acabavam como balão a que se tirasse o gás. Vazio. A não ser que se servissem dos insultos do costume. Mas também estariam mal, pois a essa  linguagem  só os distraídos ligam.

Para conseguir mais facilmente os potenciais colaboradores de que necessitam, arranjam títulos que pela verborreia utilizada, julgam serem mais suscetíveis de os atrair. O título de um deles: “PORTUGUESES PELOS DIREITOS DOS ANIMAIS HUMANOSA E NÃO HUMANOS”. Já agora, sugiro-lhes: DE AQUÉM E ALÉM MAR, HOMENS, MULHERES E CRIANÇAS IRMANADOS NO MESMO IDEAI. Até ficava mais bonito.

Há um outro blogue, o Arco de Almedina, que é dos mais ativos. Aparece a colaborar em todos os blogues “contra”. Para fazer número. Umas vezes com o seu nome, outras com da responsável pelo blogue, que não perde oportunidade para se fazer notada. Claro. Até aconselha outros blogues a não desistir da “luta”, como fez com o, julgo que extinto ou, pelo menos, periclitante, CAPT-CAMPANHA ANTI-TAURINA.

Depois há mais meia dúzia deles ou esporádicos email`s, com pouca ou nenhuma qualidade, que se limitam a macaquear o que os outros escrevem. A sua finalidade é levar os incautos a pensar que os “ante” são mais numerosos do que realmente são. De que têm algum peso.

C O N T I N U A N D O  A  A N Á L I S E

Como o título logo elucida, a minha intenção é analisar os dois lados do “conflito”. Mas esta é uma causa que vivo intensamente e tal leva-me, mesmo sem querer, a ser, digamos, “verborrótico”. Mas tem a vantagem de ficar mais claro o texto. É que, supondo que, eventualmente  os “contra”  os venham a ler, tenho que vincar bem o que pretendo dizer, para lhes facilitar a compreensão. Mas basta esta parte. Vamos agora falar dos “pró” touradas. Dos aficionados.

Também eles são repetitivos na defesa que fazem do seu espectáculo preferido. Lá vem a de que o toiro nasceu para lutar. Que proporciona ao homem momentos de grande beleza estética e emoção. Que num momento de stress de excitação, ocorre uma alteração do nível de certos hormônios que num toiro bravo, é especialmente elevado, como, por exemplo, as endorfinas. Que durante a lide, se desenvolve todo um mecanismo biológico que torna o toiro, não imune mas, por essas disposições naturais, quase “anestesiado”. A sensibilidade à dor é extremamente reduzida. Que o toiro tem cerca de 30 litros de sangue. Com a sorte de varas, “puyas”, perde apenas 1 a 2 litros de sangue. Quer dizer, 5% a 10% do total da sua capacidade. Está pois longe de se esvair em sangue como os “contra” gostam de dar a entender através de selecionadas fotografias.

O  E L O  M A I S  F R A C O?

O simpático site que tem o tal sucinto titulo, batizou os meus escritos de “verborreias”. Assim, “verborronicamente”, dei a conhecer os tópicos que têm servido de pano de fundo aos muitos e inconclusivos debates e frentes a frentes a que os “pró” e os “contra” touradas, que levado a cabo. Todavia, certamente por ser considerado o elo mais fraco e, como tal, não merecer ser incluído nessas confrontações, nunca falam naqueles que mais prejudicados seriam com o hipotético fim das touradas.

Um espectáculo tauromáquico chega a mobilizar: oito bandarilheiros; três homens para a propaganda; oito para tratar da arena; seis encarregados dos currais; sete arrumadores; cinco ou seis nos bares; cinco nas bilheteiras; vinte e tal na banda de música; quatro  polícias, um  cornetim e um avisador. Ou seja, para cima de cinquenta pessoas. Média de espetáculos por época, entre duzentos e cinquenta a trezentos. Mesmo sabendo que nem todos os espetáculos precisam de tanta gente, calculo, mesmo assim, que serão perto de dez mil e tantas pessoas a beneficiarem com as touradas.

Um site qualquer dos “contra”, faz uma apreciação às touradas, que denuncia logo o espírito mesquinho e invejoso do seu autor. Diz o convencido, que as touradas servem PARA FINANCIAR FAMÍLIAS ARISTOCRÁTICAS….Pois as pessoas que acima cito, estão longe de serem aristocráticas. E não é o  espectáculo  que vão ver. Algumas, até, possivelmente, nem o apreciam. É sim, por necessidade. Para ganhar algum dinheiro extra e com ele, poder equilibrar o orçamento familiar. Proporcionar aos seus um pouco mais de conforto.

Ora nestes debates, nem os “pró” nem os “contra”, têm tido a sensibilidade de se lembrarem destas pessoas. E afinal, são elas o esqueleto do espectáculo. São quem prepara tudo para este se dar e decorrer com toda a lisura.

Não serão elas merecedoras de mais atenção? Mais solidariedade? Devem ser desprezadas? O elo mais fraco ao qual não vale a pena ligar? Onde estão os bons sentimentos, a sensibilidade, que os anti taurinos, os “contra”, tanto apregoam? São indiferentes ao prejuízo que o fim das touradas representaria para tantas famílias?  Poupam os toiros, sacrificando os homens? O sofrimento destes não os incomoda?

Não posso ilustrar esta chamada de atenção com fotografias que choquem, como os “contra” fazem, com toiros a sangrar ou com as bandarilhas espetadas. Estas pessoas são humanas, têm vergonha. Escondem os seus problemas. Não os querem expostos na praça pública. Mas sofrem mais que os toiros. Só que a dor não é física nem atenuada pela adrenalina. É sofrimento moral. Intenso e profundo.

Pensem nisto os que se opõem às touradas. Ponham a mão na consciência. Parem com o “circo”. Com os atos de vandalismo e com as provocadoras manifestações anti taurinas à porta das praças de toiros. Ponham de parte o folclore e os farisaicos sentimentalismos.

DEIXEM-NOS EM PAZ!

Apesar da minha  longa verborreia sobre os “contra” e os “pró” touradas, houve uma coisa que me falhou e que também tem interesse em ser focada.

Se realmente conseguissem o seu intento de acabar com as touradas, têm  os “contra”, os anti taurinos, alguma ideia sobre a utilização a dar às estruturas que representam as praças de toiros? Ou, como os talibans fizeram no Afagnistão, é só destruir, por destruir, conseguir protagonismo que os motiva?

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