OS 70 ANOS DO G.F.AMADORES DE LISBOA

Amigo e companheiro de Nuno Salvação Barreto, durante vinte e um anos, vesti e fiz por honrar a jaqueta do GRUPO DE FORCADOS que ele fundou e comandou enquanto esteve entre nós. Sendo o da ideia, naturalmente foi o indicado para Cabo do GRUPO DE FORCADOS AMADORES DE LISBOA.

Contou com a colaboração do seu irmão Eduardo, de Luís Felipe Shore, Luís Felipe Nunes Dias, Eduardo Demony Moreira Santos, Anibal de Albuquerque, Vítor Manuel Guerreiro, Nuno Bonfim de Matos, Acácio Lyra Vidal, José Timóteo Pereira, António Rodrigues Pinto, José Cruz e Silva e de mim próprio. Pegar toiros é um desporto coletivo. A amizade, a confiança entre os elementos de um grupo de forcados, é essencial. Foi mesmo a ligação existente, que levou o GFAL a triunfar. O seu arranque e implantação num meio fechado e elitista como era, ao tempo, o tauromáquico, foi duro. Todos de antes quebrar que torcer, derrubaram barreiras, “desbravaram mato”. À custa de muito valor, querer e determinação, num ambiente hostil e desconhecido, vencemos. Nenhum outro conjunto, sem as nossas características, conseguiria vencer a verdadeira batalha que travámos Criámos um GRUPO coeso, atrevido, de gente que pegava por gostar de fruir o perigo, não para obter protagonismo. A fama adquirida, fê-lo ser apetecível para jovens com maneira de ser idêntica à  nossa. Com o avançar da idade, alheios a vedetismos, discretamente, os fundadores foram-se retirando. Com a mesma naturalidade com que tnham entrado. O pegar toiros é um acto, um desejo intimista. Bastava-lhes a concretização de uma satisfação pessoal. O seu abandono, forçado pela idade, mas natural, deu oportunidade aos que estavam ansiosos para entrarem. Não foram acrescentar mais prestígio ao GFAL, mas tiveram o mérito de o manter: José Caraça, Manuel da Câmara, L. Miguel Roquete, José Frade, António Lapa, António Porto, Abreu Lima, Carlos e José Eusébio, Ramiro Cardigos, Domingos Barroca, Armindo Sul Ramos, J. Pedro Faro, Horácio Lopes, Joaquim Penetra, José Batista, Eurico Lampreia, A. Lourenço Marques, Arlindo Barreto, Juliano Louceiro, José Capoulas, A. Félix Mendes, Joaquim Morais, Custódio Capoulas, José Pereira, Sarmento Beja, Carlos Rosado, J. Nuno Azevedo Neves, Falcão Castiço, Luís Peres e se me esqueço de mais algum desse tempo… peço desculpa, ajudaram a que o GFAL se mantivesse na ribalta. Porém, a melhor qualidade que os toiros foram obtendo e a morte do Nuno, vieram dar um novo carisma ao GFAL. Igualmente, deixou de haver o perigo acrescentado, da “pega ao sopé”. De ser necessária a “pega à meia volta”, “ponta do capote”, ” à  quebra da mão”. Até a “pega de cernelha”, muito raramente é usada. O toiro, normalmente chamado de largo, salvo raras exceções que, quando surgem, logo baralham os pegadores por não estarem preparados para as enfrentar, passou a ter uma investida franca, retilínea. Um derrote vertical, a que só a embalagem adquirida na corrida dá maior agressividade. Com a fácil ajuda que este comportamento do toiro proporciona, o pegar toiros tornou-se, não quero dizer fácil, pegar um toiro nunca será fácil, mas, mais previsível. O que, quanto a mim, é contraproducente. A provar esta ideia, está o facto de existirem hoje cinquenta, ou próximo, grupos e forcados e, no tempo dos FORCADOS a que me refiro, com carácter permanente, só haver três – Santarém, Montemor e Lisboa. Mas bem, o que me leva a todo este arrazoado, não é isso. É antes, o sentir-me abusivamente usado. Na corrida do dia 7 de agosto de 2014 no Campo Pequeno, em que se homenageavam os setenta anos do GFAL, sem me terem feito qualquer pedido ou dado explicação, foi enaltecido o passado de êxitos do GFAL. A propaganda à corrida igualmente os citava. Nenhuma referência aos responsáveis por esse sucesso. E são muitos, uns mais outros menos, todos, cujo nome mencionei, contribuíram para que o Grupo de Forcados Amadores de Lisboa, se tornasse referência positiva e admirada no meio taurino. Percebo a intenção e até certo ponto, compreendo. Embora não concorde, nem considere bonito, proteste e reivindique. É conhecido que uma forma de subir na vida e na sociedade, é aproveitar a nosso favor, a auréola de alguém ou de alguma coisa. Ser Cabo de um Grupo de Forcados, como já referi, possuidor de grande notoriedade, proporciona um protagonismo e visibilidade de invejar. Conscientes disso, ambiciosos, foi o que fizeram e fazem, os que tomaram o lugar de N.S.B. Como disse, apesar de não concordar com os métodos que estão a utilizar para o fazer, compreendo que procurem fugir a uma medíocre e monótona existência, desejem imitar os que veem serem considerados em meios sociais onde eles, de outro modo, dificilmente  ou nunca, entrariam. Todavia, apesar desta compreensão, tenho uma objeção e sugestão a fazer. Não admito que seja abusivamente aproveitado para propaganda, o admirável curriculum do GFAL, para o qual concorri. Fazendo parte do conjunto de FORCADOS que com vontade, estoicismo e valentia, impuseram o Grupo de Forcados Amadores de Lisboa, não consinto que se sirvam do nosso esforço em proveito próprio. Deixem de se servir dos nossos feitos. Criem o vosso próprio curriculum. Outra sugestão: Já que tem um carácter familiar – a chefia do GFAL foi passada de pai para filho – podiam formar o GFAFG – Grupo de Forcados Amadores da Família Gomes. Evitavam assim serem acusados de oportunistas. De se servirem do nome do “MEU” (nosso…) GRUPO DE FORCADOS AMADORES DE LISBOA.

Carlos Patrício Álvares (Chaubet)

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