PARA MEMÓRIA FUTURA

Ponderando no que já escrevi e no que irei escrever e porque, uma fotografia, muitas vezes, vale mais que muitas palavras, resolvi criar a secção  “PARA MEMÓRIA FUTURA”.

Peguei toiros durante vinte e dois anos – pegador de caras de raiz, primeiro ajuda, cernelheiro e, por último, rabejador. Observo e estudo a problemática do Forcado há muitos mais. Esta vivência deu-me oportunidade de verificar a importância e perigosidade dos lugares existentes num  Grupo de Forcados. É sobre eles que me irei debruçar.

Assim, começo pelo “1º ajuda”. Para mim, o lugar mais útil, generoso, voluntário, ingrato e, quiçá, o de maior valentia.  O que vai “à cara”, tem a responsabilidade e coragem de desencandear  toda a movimentação que uma “pega” possue. É êle que está debaixo do escrutínio da assistência. O que atrai o seu olhar . Sabe que é considerado o mais valente. O que é um estímulo e, ao mesmo tempo, condiciona o seu comportamento. Mesmo que tenha um momento de fraqueza não o pode demonstrar. Se tiver sucesso, será convidado a receber os louros. Que, muitas vezes, se ficam a dever muito ao primeiro ajuda.

É êle que com o seu corpo e sacrifício, procura “aconchegar”, até, emendar o companheiro na cabeça do toiro. Que, caindo ao cumprir o seu compromisso, se levanta e corre para continuar a fazer parte da pega. Raramente sendo reconhecida a sua contribuíção para o êxito do pegador de caras, também raramente vê o seu esforço compensado pelo público. São estas as razões que me levam a ter a opinião que tenho de uma posição que, só por emergência, ocupei.

São pois fotografias de primeiros ajudas que publicarei. Não consegui arranjar nenhuma de António Patrício, que pegou no G. de Santarém e Montemór e consta ter sido a alma desses grupos. Porém, daqueles que tive ocasião de ver e apreciar, tenho várias. Em primeiro lugar dos três que considero terem sido os melhores “primeiros ajudas” de sempre, pelo menos dos que tenho visto. Considerando-os todos por igual, só me resta a referência por ordem alfabética: Hipólito Cabaço, João Franco, João Pedro Bolota. Foram na verdade exemplos de valentia, habilidade e voluntariedade.

Os cernelheiros também estarão representados. De António José Teixeira não tenho fotografia e tenho pena. É dos que merece ser citado pois nesse lugar, foi uma referência do G.F.A. de Santarém. Por enquanto vou recordando apenas aqueles de que tenho fotografia.

Seja como for, a dupla que considero a melhor de sempre é apresentada. Não falta o lendário Ricardo Rhodes Sergio cujo valor e longevidade, fez ter como rabejadores, António Abreu, Jorge Duque, António Alcobia, Manuel Taboleiros. Aquele com quem se enquadrou realmente foi com Jorge Duque. No entanto, apesar dos êxitos alcançados, a dupla António José Zuzarte e Simão Comenda, superou-os.

Com frequência as pegas faziam-se graças ao enorme valor de Rhodes Sérgio. Com Zuzarte e Simão, realizavam-se não só devido às qualidades que eles possuiam mas igualmente, pelo bom entendimento existente entre eles.  Conjunto inesquecivel, a ele me tenho referido várias vezes. Veremos igualmente, João Pedro Bolota, forcado completo, a fazer cernelhas. Até mesmo a pegar da caras. Mais uns tantos a realizarem esta modalidade, com maior ou menor perfeição.

Chegaremos depois a uma sequência de pegas duras. Daquelas que demonstram que pegar toiros nem sempre é fácil. Aí temos vários nomes. Tantos que iremos dizendo consoante as fotografias apareçam.

Por último, como é costume a lide acabar com volta à praça, a série delas que alguns grupos foram dando.

Espero com tudo isto, tornar mais atrativo e claro os meus pontos de vista sobre os assuntos de que falo.