A Raça brava – O Toiro de Lide

Começo por considerar que o embrião do toiro de lide dos nossos dias, surgiu em simultâneo com o do Homo Sapiens, na mesma zona da Africa Equatorial. Animal altamente prolífero e nómada, adaptando-se morfologicamente ¨às zonas que ia atravessando, dele foram encontrados vestígios um pouco por todo o Continente Africano, Asiático e Europeu. Todavia foi nos terrenos adjacentes ao Tejo e ao Guadalquivir, talvez por o fazerem recordar os longínquos rios da sua infância, Tigre e Eufrates, que estacionou e evoluiu. A sua compleição física, a força, agressividade e resistência ao castigo, que o caracterizam, logo lhe criaram um admirado e especial carisma. Os seus cornos, a sua terrível arma, tornaram-se símbolos de força e poder.

Não espanta pois que tenha sido venerado e deificado pelos nossos antepassados, sempre propensos a criarem deuses, divindades e motivos de culto.

No final do neolítico, eclode mesmo um autentico surto de misticismo, que culmina com uma avalanche de toiros divinos. Temos os toiros alados de Ur, possivelmente tendo um significado divino e o Culto Babilónico de Gudmar-Il-Gumas, o Deus-Sol, a demonstrar a ligação do toiro ao Mundo Celeste. Muito semelhante ao que existia no Egipto no tempo de Hamurabi, rei da Babilónia.

Era então o toiro, considerado o símbolo da tempestade. No Antigo Egipto, onde a zoolatria era levada a extremos encontramos, entre outros, Dyros, Min, Baal. No entanto os mais célebres e conhecidos são o Boi Apis, adorado num sumptuoso templo construído em sua honra em Mimais. E Mitra, que deu origem ao Culto Mitraico.

Vamos ainda encontrá-lo em Espanha, nas grutas de Albarracin, Altamira e Cogul, representado em pinturas rupestres. A invasão da Península pelos romanos, dois séculos a.C., trouxe  novos aficionados ao toiro. O General Júlio César não resistiu ao seu fascínio.

Logo de início mandou construir amplos anfiteatros, onde tinham lugar combates de gladiadores com animais, incluindo o toiro. Perto de Sevilha, o Anfiteatro de Itálica, é um dos mais conhecidos.

Mas o nobre animal chamou sempre a atenção e foi fonte de inspiração de nomes ilustres. O grande Francisco Goya não o esqueceu no seu quadro A TAUROMAQUIA. Pablo Picasso seguiu-lhe os passos no A MORTE DA MULHER TOUREIRA. Júlio Pomar, sabemos ser aficionado. Porém, é no meio da escrita que se encontra maior número de prestigiados nomes a prestarem-lhe homenagem. Alguns deles: Garcia Lorca exprime o seu lamento e respeito no emocionante LLANTO POR IGNACIO SANCHEZ MEJIAS. Estrabão em 58 a.C. fez-lhe referências elogiosas. Alexandre Herculano, Ramalho Ortigão, o Prémio Nobel Ernest Hemingway, Oliveira Martins, na SOC. MEDIEVAL PORTUGUESA, todos mostraram o seu apreço pela raça brava e pelas touradas.

Chegado ¨à Península Ibérica, após a longa caminhada, o toiro encontrou aí, condições ideais para se fixar e procriar. Mas a alimentação das manadas que ia criando, sempre a aumentarem, faziam-no invadir terras de cultivo para se alimentarem. Devido a isso, tornou-se um problema para o homem. Tinha que se acabar com tal situação. Terá pensado.

Passou então a organizar desumanas caçadas aos toiros, onde eram empregues todo o tipo de aramas. Flechas, lanças, facas e ganchos. Aos homens que, a pé firme, as utilizavam, recrutados na classe baixa da população, deram o nome de  mata toiros. O rei D. Afonso, O Sábio, acabou por proibir esta prática, que se encaixava no indisciplinado rural-etnológico. Passou a ser a nobreza, a cavalo, a ter estas funções, criando-se assim a forma feudal-casticista de enfrentar o toiro. Com a decadência da nobreza no século XVIII, voltaram os mata toiros. Agora fazendo-se pagar. Digamos, os primeiros profissionais do toureio. Passaram a acompanhar os nobres.

Exagerando na sua missão e os nobres, quase com idêntico desempenho, começaram a pôr em perigo a sobrevivência do toiro. Todavia este já tinha cativado o homem. As suas características e simbolismo fizeram-no ganhar a sua simpatia, admiração e respeito. A raça brava não podia, nem pode, acabar. Terão decidido.

Com a finalidade de a preservar e defender de eventuais predadores, criaram-se grandes espaços, ganadarias, onde o toiro pode viver com todas as mordomias. Tanto ou mais tempo que o seu pachorrento irmão de raça mansa, condenado, sem alternativa, ao açougueiro. Havia porém que arranjar forma de ele conservar a bravura. Característica que o torna único e impõe no reino animal mas que, não sendo estimulada, aproveitada, se perde.

Sabendo isso o homem, considerou ser um sacrilégio privar o carismático animal, do atributo que melhor o identifica – a BRAVURA. Pelo entusiasmo que lhe desperta e carinho que tem pelo toiro, procurou forma de obstar a que tal sucedesse. Forma de poder conservar intacta essa qualidade.

Assim, desejoso de que os seus extraordinárias atributos fossem devidamente salvaguardados, divulgados, apreciados e aplaudidos por todos, começou a organizar espetáculos tauromáquicos. Instaurando assim o chamado toureio urbano-burguês. Deste modo proporcionou-lhe a possibilidade de mostrar em público, toda a valia que tem. De dar volta á arena a receber aplausos pelo seu comportamento, mesmo depois de morto. Eventualmente a ser indultado. Ganhar um resto de vida calmo e sossegado, comendo, dormindo e procriando. Nada disso acontece com o seu irmão de raça mansa, pacificamente sacrificado ao interesse do homem.

O transporte para a praça é que é um tanto constrangedor, com o toiro imobilizado numa espécie de gaiola. Para quem gosta do toiro como os taurinos gostam, não deixa de ser desagradável. Contudo por pouco tempo. Chegado ao seu destino, um médico veterinário avalia as suas condições físicas. Sujeito a cuidada e atenta vigilância, acautelando qualquer tratamento menos correto que alguém possa tentar. Depois ninguém o incomoda mais até ser chamado para o embate com o toureiro.

Na arena, os ferros e bandarilhas que lhe cravam, fazem-no reagir com agressividade. Mas mais por irritação que por dor. A exaltação provocada pela vontade de retaliar solta a adrenalina, o que supera a dor que poderia sentir. A sua reação quando da atuação dos picadores, demonstra-o. Não foge. Antes, continua a investir. Não sente a dor como os piedosos anti taurinos pensam.

Por tudo isto os aficionados, verdadeiros apaixonados pela raça brava, são os maiores admiradores do toiro de lide. Custa-lhes que um animal tão admirável, morra de forma anónima às mãos de algum, também anónimo, magarefe. Desejam que o toiro tenha um fim digno do seu estatuto e é na arena, que ele demonstra todas as suas admiráveis potencialidades. São as touradas, os taurinos, que salvam o magnífico toiro de lide, a raça brava, autentico fenómeno da Natureza. Não são os que o querem pôr num cercado como peça rara de museu onde, por falta de estímulo ou forma de a testar, acabaria por perder o que o faz tão especial ¨ A BRAVURA. Não será a atitude dos anti taurinos apenas uma precipitada e irresponsável exposição de pseudo bons sentimentos, com o único objetivo de ganhar protagonismo? De dar nas vistas? Não haverá, infelizmente, na nossa sociedade, humanos onde estes caritativos sentimentos, teriam mais cabimento?

Acontece ainda que é depois de sair da arena, quando lhe estão a tirar as bandarilhas que tem no corpo, quando já passou a exaltação que o fazia mal sentir a dor, que o toiro sofre realmente. Espetáculo a que nenhum aficionado gosta de assistir pois custa ver o animal sofrer. E a culpa desse sofrimento inútil é das tais caritativas pessoas que se dizem defensores dos animais e se opõem à morte do toiro na arena.

Também, o mal que o fim das touradas traria para centenas de pessoas que delas tiram o seu sustento. Não conta? Ou será só uma prepotente e egoísta imposição que incentiva os anti touradas ¡°NÃO GOSTO DE TOURADAS! NINGUÉM PODE GOSTAR.!. Como me parece ser esta, afinal, a verdadeira razão dos seus protestos, devo lembrar que o tempo da ditadura já era. Os anti touradas não passam pois de frustrados que, às vezes, à porta do Campo Pequeno, eletronicamente ruidosos, saudosistas de um passado  que  não esquecem, querem, pela arruaça, impor a sua vontade.

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PRIMÓRDIOS

Ao contrário do que os anti taurinos vociferam, tanto eu como qualquer outro aficionado, tem grande carinho e admiração pelo toiro. Sempre que temos oportunidade de o enaltecer não hesitamos.

O toiro, como todos os seres vivos, é resultante de uma longa evolução filogenética. A esta, dedicou o naturalista e biólogo inglês Charles Darwin, toda a sua vida. Como legado do seu esforço, deixou-nos o seu mundialmente conhecido livro, “Origem das Espécies”.

Obra que nos serve de guia para conhecermos e compreendermos as modificações sofridas ao longo dos anos, por todos os seres que fazem parte do mundo a que pertencemos e no qual, obviamente, se inclui o toiro.

Altamente prolíferos e nómadas dele foram encontrados vestígios um pouco por todo o continente africano, asiático e europeu.

Confirma-se assim, tanto a sua antiguidade e resistência como, com as modificações que foi sofrendo na sua adaptação aos ambientes que ia atravessando, a teoria da evolução de Charles Darwin.

                                                     CULTO TÁUREO

As numerosas pinturas reproduzindo o toiro e cenas de caça com ele relacionadas, existentes em várias grutas, demonstram a devoção do homem primitivo pelo toiro – o chamado Culto Taureo. O toiro, aliás, faz parte do universo religioso de muitos povos. No epipaleolítico ficou documentada uma indiscutível introdução do toiro na esfera do sagrado.

Também foram aproveitados para os jogos taurinos nas cidades gregas de Creta e Tessália, na Península Ibérica e em Roma, no tempo de Júlio César. Facto que inspirou o filme “QUO VADIS” onde, na cena com o toiro, estiveram forcados portugueses.

No entanto, apesar dos aprofundados estudos que se têm feito sobre o Homo Sapiens, o começo da vida na terra continua enigmático. Com o toiro passa-se o mesmo. Não há indícios que isolem o seu surgimento das outras espécies.

Por essa razão, começo por seguir uma das hipóteses consideradas mais válidas. O toiro aparece, em simultâneo com o Homo Sapiens, na mesma zona da África Equatorial, onde agora é a Etiópia.

EM BUSCA DE “LAR”

Segundo muitos estudiosos o uro, animal selvagem do período neolítico, que está na origem de todas as raças bravas existentes, subsistiu nalguns países até ao século XVII.

Contudo, foi nos países do sul da Europa, onde o historiador grego Estrabão, 58 a.C., afirma já haver toiros, que adquiriu as potencialidades que vieram a tornar possível o toiro de lide.

Pelo seu valor nutritivo, era exaustivamente procurado pela gente de então. O perigo e dificuldade que tinha a sua caça eram igualmente um estímulo para essas populações.

A arriscada aventura que tal ação significava, levou a uma progressiva deificação do toiro e à simbologia dada às suas terríveis “armas” (cornos), sinal de força e poder. Quem o enfrentava, era admirado pela sua coragem – como qualquer toureiro ou forcado hoje em dia. Em vez das orelhas porém, eram os cornos que eram aproveitados para enfeitar os capacetes que usavam.

                            OS VERDADEIROS INVENTORES DO “Quiebro”

Quando os nossos antepassados, sentindo não ser suficiente a alimentação de raízes e frutos passaram definitivamente, de recolectores a caçadores e carnívoros o toiro, tornou-se a presa mais apetecida. Os nossos avós tornaram-se apreciadores da sua carne, não podendo prescindir de um bom bife mal passado ou em sangue.

Não estando ainda inventadas a lança, espada ou flecha, para o caçar, deitaram mão dos recursos que tinham.

Procuravam um terreno plano onde houvesse um precipício do qual o toiro não pudesse sair facilmente. O mais ágil (tremedista) ia desafiar (citar) o bicho. Quando ele, “enquerençado” (quando o toiro fixa a atenção em algo), o perseguia, corria na direção do precipício escolhido. À beira deste, desviava o corpo. Fazia um “quiebro” (movimento brusco que se faz para evitar a colhida).

O perseguidor, embalado, não tinha tempo de travar e caia no precipício. À pedrada e à paulada, acabavam-lhe com o resto de vida que ainda lhe restasse. Chamava-se caça por “despenhamento”.

Não encontrando terreno propício, abriam uma cova e tapavam-na com folhas. Depois era o mesmo sistema. Chegando à beira da cova o desafiador/perseguido saltava transpondo-a. O animal não se conseguia deter, caia na armadilha e, era-lhe ministrado o mesmo tratamento. Apelidavam-na de caça por “alçapão”.

COMEÇO DAS GANADARIAS

Estas tácitas de caça porém, além de trabalhosas e perigosas, eram um tanto aleatórias. Nem sempre era fácil encontrar o terreno ou precipício adequado e, por vezes, apesar das grandes manadas existentes, o toiro. Tinham que arranjar outra forma mais eficaz. Passaram a ir ao campo caçar o toiro, em vez de ficar à espera que aparecesse.

Acompanhavam os caçadores, como “batedores”, moços de lavoura munidos da forquilha de três dentes que usavam nas fainas agrícolas. Estes homens ficaram também conhecidos por “monteiros de caça”.

Eram recrutados nas terras onde, na altura, havia maior abundância de toiros – Estremadura e Ribatejo.

Esta circunstância fez com que tenha sido aí, principalmente na chamada Borda D´Agua, que a aficion ao toiro se desenvolveu em primeiro lugar.

Ânsia de protagonismo

O homem, com a sua imaginação, inteligência, visão e ambição, não tardou a descobrir as potencialidades que o “bos taurus” possui e o aproveitamento que delas poderia fazer.

Através de apuradas e trabalhosas experiências e estudos genealógicos, conseguiu criar o toiro de lide.

Tornado numa das mais belas, carismáticas e emblemáticas espécies do reino animal o toiro de lide, é igualmente o sustento de milhões de famílias e enlevo daqueles que o admiram nas arenas.

São estas as razões porque nos custa ver a campanha que contra ele está a ser feita. Paradoxalmente por quem se intitula defensor dos animais.

Na verdade só manifesta ignorância ou por a ânsia de protagonismo, lhes tirar capacidade de raciocínio, se pode explicar as caricatas manifestações anti touradas conduzidas pela Associação Protetora dos Animais e quejandos. Não conseguem perceber que querendo acabar com as touradas, estão a fomentar a extinção do toiro de lide.

Impedido de mostrar que é diferente dos seus irmãos, o portentoso animal irá transformar-se num representante da raça bovina igual a eles. Será um boi em vez de toiro de lide. Terá um fim inglório às mãos de anónimo magarefe, tal como todos os seus pachorrentos e acomodatícios irmãos.

Nunca terá a honra de dar uma volta agradecendo os aplausos recebidos pelo comportamento que teve na arena. Quando muito, se der uns bons bifes, será gabado postumamente por aqueles que os provarem. Possivelmente alguns dos que se dizem seus defensores.

Os que o querem exterminar, são ruidosos, agressivos e persistentes. Poucos mas, como alguém já disse, atuando com profissionalismo. Aproveitam a inércia dos taurinos. A desdenhosa indiferença com que são olhadas as suas ridículas e infantis iniciativas, para ganharem algumas batalhas. Viana do Castelo, Braga e Cascais são três exemplos e alertas.

O toiro de lide foi criado para os espetáculos tauromáquicos. Através deles é gerador de empregos, bem-estar, proporciona belos momentos de exaltação, beleza e emoção. Não havendo esses espetáculos, não tem razão de existir.

Para quê orientar e exacerbar a agressividade, força e ferocidade naturais do “bos taurus”, se o resultado desse esforço não tem aplicação? Aproveitamento? Para mais sendo a criação do toiro de lide mais trabalhosa e onerosa que a do seu pachorrento irmão, o boi manso.

Ser o fim de uma espécie animal, para mais de incomparável carisma, não tem importância para os que protestam contra as touradas. Isto porque o seu fim não é o bem do animal, mas sim o fim de um espectáculo de que não gostam e não toleram que outros gostem.

Precisamos pois, de mostrar que são prepotentes, ditatoriais e egoístas, os sentimentos que motivam as suas ações e não humanitários como gostam de apregoar.

É tempo de reagirmos. Acabar com esta espécie de cruzada fundamentalista, à taliban, que os abusivamente auto intitulados defensores dos animais, com equídea teimosia, tentam manter.

Pretendem com ela acabar com um animal conhecido pela sua imponente presença, espírito de luta, força resistência e agressividade. Para tal, inutilizando-lhe estes predicados.

Precisamos da união de todos aqueles que admiram o toiro de lide como nós admiramos. Uma petição nesse sentido anda a circular. Não deixem de a assinar. Os “anti” não param. Não descansam e…….água mole em pedra dura….Façamos o mesmo. Aproveitemos todos os momentos, todos os pretextos para defender o “nosso” espetáculo.

Afinal quem gosta dos Toiros?

Que sou um acérrimo defensor da Festa Brava, todos que me conhecem sabem. Vejo que a Sociedade Protetora dos Animais também.

O ter-me enviado um artigo escrito por um tal “Fernando Alvarez, etólogo, professor de investigación – CSIC, Estación Biológica de Doñana“. Leva-me a pensar isso.

Presumo que tenha sido uma tentativa de me sensibilizar para a causa deles. Insensata esperança.

O Dr. F. Alvarez, não contente em repetir o estafado, senil e inútil argumento que sempre se ouve quando atacam as corridas de toiros, tem o desplante de afirmar, mostrando uma ignorância incompreensível num professor: “La supres íon de la lídia no implica la extinción del toro bravo ni de su hábitat. Hoy, ambos se conservan com fines económicos y, de suprimirse la fiesta serian conservados, como lo son otros ecosistemas y razas de bovinos, incluido el uro primigenio”.

Como foi fotocópia que recebi, não sei qual terá sido a publicação de que o homem se serviu para emitir estes disparates.

Não sabendo por isso, para onde mandar a resposta, faço-o por este meio. Mesmo que o iluminado “prof” não leia, é uma forma de descarregar. Além de que, como tenho dito, nunca é demais defendermos a Tauromaquia. Para a SPA, irá igualmente uma cópia.

Um produto de raça brava poderá ter, ao fim de 4 anos de manutenção, mais onerosa que a do gado criado exclusivamente para produção de carne, 600 quilos.

Depois, enquanto estes animais atingem os pesos referidos após 4 anos de criação, aqueles em que só a carne é aproveitada, em 15/16 meses, podem alcançar esse mesmo peso.

Se o criador de toiros de lide, não tivesse a compensação material que lhe
dá a utilização da bravura em espectáculo taurinos, não havia quem perdesse 4 anos a criá-los, pois significaria perder tempo e dinheiro.

Uma maior taxa de mortalidade e inutilização, porque os toiros lutam uns com os outros é, igualmente, de ter em conta.

Acontece ainda e está provado que a bravura, embora sendo uma qualidade inata, necessita de ser acompanhada ou estimulada para que não se perca.

Para que tal não aconteça, os criadores têm até o maior cuidado. São frequentes tentas de campo e de praça para a preservar e avivar. O que representa trabalho e tem custos acrescidos,

Tratar o gado bravo como se trata o manso, como o ilustre “prof.” diz,- “conservá-lo como lo son otros ecosistemas y razas de bovinos, incluido el uro primigenio”, seria o fim da raça brava.

Considerando todos estes fatores, como pode o “prof” espanhol, dizer que o toiro bravo se manteria, mesmo que não fosse aproveitado para os espetáculos tauromáquicos?

Passou o tempo de se criarem toiros por “status” social. Para presumir. A época dessas atitudes de ostentação já passou. Ninguém quer, ou pode, perder dinheiro.

Por tudo isto, tanto o “prof” como os da SPA, com as suas ridículas e pífias campanhas anti taurinas, não fazem mais que atentar contra a existência de um animal tão carismático como o toiro bravo. Autentico fenómeno da Natureza, propiciatório de momentos de grande exaltação plástica e artística.

Deixem-no pois viver! Por favor. Não queiram exterminar uma raça tão digna de admiração e carinho.